sábado, 29 de setembro de 2012

SFI

        Quero contar um pouco de como está sendo minha experiência no SFI da minha cidade. Cheguei aqui por essas bandas no dia 07 de Abril e comecei a estudar em meados de Maio, já que o meu personnumer demorou a chegar porque meu nome não estava escrito na porta. Depois de fazer um teste de nivelamento fiquei uma semana em uma classe introdutória para a professora ter certeza se eu poderia começar no nível C e assim foi.
      Tive e tenho excelente professores, que aos poucos estão me fazendo entender como essa língua funciona, e hoje depois de quase 6 meses aqui na Suécia fico feliz por entender o que as pessoas estão falando comigo.
      Vejo muitos relatos negativos de brasileiros,principalmente os que moram em cidades maiores, a respeito do SFI. São professores que só pedem os alunos para ler e traduzir o jornal, outros que vão tomar cafézinho e voltam um tempão depois, outros onde os imigrantes asilados não deixam o professor dá aula direito e fica aquela enrolação... Só sei que nessas horas fico feliz da vida por morar em uma Kommun menor onde é mais fácil colocar ordem na coisa.
     Na minha escola não vejo enrolação por parte dos imigrantes que recebem ajuda do governo não. Os que estão há mais tempo na escola normalmente são pessoas de mais idade que vem de uma país onde o alfabeto era totalmente diferente e as vezes não eram se quer alfabetizados em sua língua. Então a gente tem que entender que esses daí vão levar tempo mesmo.
     Em Hudiksvall, se não me engano, o aluno só pode estudar no SFI durante até 3 anos.Outro dia desses um que estava  na minha sala teve que sair pois já estava há tempo demais, e teria que terminar o SFI através de um curso oferecido pelo Arbetsförmedlingen. Se o imigrante falta de aula, desconta-se dinheiro, são obrigados a participar da escola de verão,se não comparecessem,desconto no dinheiro. Além de todos serem obrigados a fazer estágio quando estão no SFI C e D.
  Os alunos conversam em sueco entre si, e só falam em sua língua com o colega na sala de aula caso o mesmo não entenda de jeito nenhum o que o professor está explicando. Na minha sala tem pessoas do Irã, Afeganistão, Turquia,Eritrea,Hungria,Romênia,Espanha,Itália, Inglaterra,Estônia,Cuba, Argentina, Russia,Tailândia,Burma,Vietnã... Não tem muita panelinha, o povo se mistura e acaba dando aquele clima gostoso as aulas!
   Além de gramática,podemos escolher se queremos ter aulas de:

-Trânsito parte teórica para ajudar quem quer tirar carteira
-Saúde, como funciona os hospitais e o sistema de saúde,quem a gente deve procurar em caso de tal doença ,etc.
-Meio Ambiente e sustentabilidade
-Democracia
-Direitos e deveres
-Como ser pais na Suécia
-Escola para crianças

E agora temos alguns temas novos, mas como estou fazendo estágio 2 vezes na semana só me lembro de alguns temas:

-Morar e se sustentar na Suécia
-Trânsito, pois a demanda foi muito grande nas primeiras quatro semanas
-Gramática

 E outros que eu infelizmente não recordo... mas estamos sugerindo temas sobre o mercado de trabalho e o ensino superior na Suécia, que são assuntos de interesse da maioria dos imigrantes.
    Com esses temas, temos a oportunidade de falar muito sueco, pois alguns assuntos gera muita discussão e também entender melhor como essa sociedade funciona.
     Muitos imigrantes,principalmente muçulmanos vão aprendendo e abrindo os pensamentos que aqui você não pode obrigar os seus filhos a ter a mesma religião que seus pais, você não pode obrigá-los a se casar com as pessoas que escolherem,não pode castigar a sua mulher mesmo que ela queira rasgar o véu... (muitos no início do curso achavam isso um absurdo no final dele já estavam muito mais abertos e sabendo que isso é lei e que  podem inclusive perder a guarda dos filhos  ou em outros casos ir para a cadeia).
     Vamos entendendo o porquê é proibido bater em crianças e as suas consequências caso isso ocorra,o porquê aprender a língua e se sustentar através do seu trabalho é muito melhor e mais importante do que sobreviver da ajuda do governo, que essa deve ser oferecida apenas em caso de necessidade, o porquê da do aborto aqui ser liberado, o porquê respeitar a cultura e os costumes do país que te acolheu mesmo que você não concorde é importante, que você pode manter e praticar a sua cultura contanto que não tente impô-la aos demais...
      A minha experiência no SFI tem sido muito mais que aprender a língua, está me ensinado a história desse país, sua cultura, seus costumes,seus valores,suas leis,sua política,seu sistema e isso faz com que a minha inserção nessa sociedade meio que tão "fechada" seja mais fácil.
     Fiz a aprova para passar para o C em Agosto e em Outubro a professora disse que posso fazer a prova final. O engraçado é que a maioria dos alunos da minha sala dizem "eu também quero fazer,não quero ficar aqui muito tempo não".

    No meu próximo post quero falar sobre o Praktik que consegui através do SFI renumerado pelo Arbetsförmedlingen.




 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Noruega em algumas fotos

      Aqui vai algumas fotos desse país lindo e caro! Voltei para a Suécia achando tudo barato, hehe.
Quero voltar algum dia para conhecer a capital Oslo.
     A casa de verão dos meus sogros fica em Grunke, que é um vale nas montanhas do Valdres.  Boa parte dos familiares da minha sogra são noruegueses , a mãe  do Johan é sueca, pois nasceu aqui, mas a avó dele é norueguesa. Minha sogra também tem um pouco de sangue italiano nas veias, já que seu pai era metade italiano metade sueco. Mas é uma mistura tão grande entre noruegueses e suecos na parte materna que até hoje eu não entendi direito, hehe, mas enfim, minha sogrinha que amo muito ganhou esse terreno na Noruega (e outros parentes também) após a morte de seu avó Anders Underdal, que era filho de Bjørnstjerne Bjørnson (o homem que escreveu o hino norueguês). Tive que escrever sobre isso pois meu maridinho  ficaria muito zangado caso eu não falasse dos famosos dentro da família dele haha. Ele também pede para lembrar-vos que Margit Sandemo escritora norueguesa famosa dentro da Europa é tia da mãe dele e que seu pai Wille Grindsäter foi um famoso tocador de violino (Skäggmanslaget) na década de 70 e 80 na Suécia. Johan e eu também somos um pouco famosos, como vocês viram no post anterior estávamos no Expressen Söndag, HAHA, mas isso foi só o início, kkkkkkk.
 
















quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Nós no Expressen Söndag

     Aqui vai o link da reportagem sobre o Johan e eu que saiu na revista Expressen Söndag de algumas semanas atrás:


http://www.expressen.se/res/johan-soffsurfade-sig-till-sitt-livs-stora-karlek/


   Ficamos surpresos com interesse da revista de escrever sobre nós, é engraçado andar na rua e um desconhecido dizer "Parabéns eu vi vocês na revista!"


Aqui e lá

     Eu até que pensei que quando me mudasse aqui pra Suécia eu teria um monte de coisas, para escrever, muitas novidades, choques culturais e coisas desse tipo. Eu acho que pulei aquela fase do deslumbramento, de se impressionar com tudo, com todas as diferenças e por aí vai.É claro que vejo e sinto tudo aquilo que é diferente daquilo que eu estava acostumada mas esse impacto está sendo muito pequeno.Sinto saudades da minha família e amigos, mas estou convivendo com isso super bem.
    Gosto de morar aqui assim como gostava de morar em Minas. E mesmo sendo de Belo Horizonte não estranhei o fato de vir morar em uma cidade pequena. Tudo que o que eu fazia em BH posso fazer aqui também, algumas com mais facilidade outras com mais dificuldade. Acredito que uma das coisas que fizeram com que eu não estranhasse tanto assim a vida por aqui é porque estou gostando da minha experiênca por essas bandas. 
    Direto e reto alguém sempre pergunta "onde é melhor?" mas hoje eu diria que fica 50% pra cada. Gosto igualmente dos dois lugares mas talvez no futuro essa perspectiva possa mudar. O quê posso  responder é o quê mais gosto em cada um. E aqui algo que aliviou e muito a minha vida é o sistema de transporte, que costuma passar sempre no horário,seguir o intinerário e a empresa pelo menos da cidade onde vivo se preocupa com o bem-estar do seus passageiros. Seguem duas experiência positivas que tive:

*Quinta-feira passada os dois ônibus que saem as 07:00 horas foram lotados,com gente em pé em ambos. No decorrer do trajeto o motorista avisou que a empresa havia enviado um ônibus extra e quem quisesse poderia descer e pegar o que vinha atrás. Desde então são três ônibus saindo neste mesmo horário sem nenhum passageiro precisar liga
r para reclamar de nada.

* O ônibus deveria passar as 20:00, cinco minutos depois nada. Ligamos para saber o motivo do atraso e a empresa informou que o ônibus havia quebrado e que passaria muito tarde mas que eles enviariam um táxi por conta da empresa.


    Mas como nada é perfeito, então já presenciei e ouvi relatos de falta de educação :

*Parece que aqui todo mundo adora sentar-se sozinho no ônibus. Colocam mochila, livro ou o que for na poltrona ao lado só pra que ninguém se sente. Isso seria até OK, se não fosse o fato que muitas pessoas vão em pé. Alguns até perguntam: "Posso me sentar aqui?" , alguns retiram e fecham a cara, outros fingem que não ouviram pois estão com o fone de ouvido, e outros negam na cara dura, dá pra acreditar numa coisa dessas?!

* Adolescentes amam colocar aqueles tênis imundos em cima da poltrona, mesmo sendo esse comportamento proibido.

*É raro ver alguém se levantar para um idoso, grávida,ou com alguma mobilidade reduzida ou até mesmo ajudá-los a entrar no ônibus. Meu marido algumas vezes, que nem ia pegar o ônibus só estava apenas passando  na rua, teve que ajudar uma senhora idosa  a entrar  porque o povo só olhava pra cara dela enquanto ela pedia ajuda. ( brasileiros são bem mais solidários nesse sentido,tirando as exceções)

* Não existe fila , não importa se você foi o primeiro a chegar no ponto , pode ser o último a entrar se não for esperto.

Acho que os pontos positivos em Hudiksvall são os negativos de Belo Horizonte e os negativos de Hudik são os positivos de BH.

Como eu disse lá em cima, tem um monte de diferenças entra a vida aqui e a vida lá, vez ou outra eu posso até comentar algo por aqui, mas no meu dia a dia prefiro nem pensar muito nisso, nem fico comparando um país com outro , isso fez e está fazendo minha adaptação mais fácil. Vou vivendo aqui no jeito deles, com uma cobertura do meu jeito, aí nem tem como estranhar muita coisa não.